Gestão da Atenção

Esse texto não é sobre técnicas, é reflexivo, sobre um caminho que traga mais paz e produtividade.

O tempo é o mesmo para todos embora as responsabilidades sejam geralmente, injustamente distribuídas socialmente.

Informações circulam por muitas redes da mesma forma como pensamentos circulam em minha mente agitada, sem preocupação com coerência ou fechamento de ideias.

Whatsapp, Twitter, Instagram e Linkedin estão cheios de pessoas tentando capturar a atenção dos demais, seja com um propósito moralmente legal ou não.

Eu sei como lidar com tarefas, ciclos de entregas e minhas estimativas são relativamente precisas.

O que tem sido muito difícil é onde colocar minha atenção.

Devo brincar mais com meu filho? Limpar o banheiro? Estudar uma nova linguagem de programação? Dominar o Inglês? Responder aquela mensagem que me irritou no grupo de Whatsapp da escola ou aquela treta marota no Twitter?

É absolutamente claro pra mim que a satisfação vem com a dedicação mais profunda a caminhos que tenham conexão com meu coração. E deu certo na minha vida muitas vezes.

Eu gostava muito de meditar.
Parei não sei porque, mas na meditação acontece algo interessante.
A paz (e a alegria resultante desta) surge da ausência de pensamentos, não do “pensamento certo”.

E frequentemente depois da meditação, eu sei o que fazer.

Sinto que o problema que me afeta não é a dúvida do caminho, mas um certo apego aos estímulos que ao meu redor passam indisciplinadamente, como são os pensamentos em geral.

Minha esposa hoje de manhã me deu uma dica preciosa.
Veja, eu me irritei muito com uma mensagem no grupo de Whatsapp da escola. Absolutamente nada grave, apenas descordo da intenção, mas nada grave mesmo. Só que minha mente se apegou àquela discussão e algo dentro de mim clamava por uma CONCLUSÃO daquele assunto.

Eu claramente sentia que o assunto não cabe naquele contexto. Mas meu desejo de “encerrar” a questão não estava alinhada com o desejo de outras pessoas do grupo, muito mais interessadas em “alimentar” aquela questão.

Então minha esposa me trouxe o seguinte, esses grupos são assim, as pessoas falam o que querem e aquilo que tiver força, as pessoas vão comentando, se não tiver, outros assuntos vão passar por cima.

Aí eu entendi. Eu que me apeguei ao assunto exigindo uma espécie de definição. Por qual motivo? Mero apego. Nenhuma demanda real, nenhum prazo. Nada, puro apego.

O problema não é discussão estar alí, a questão é se eu me apego a ela ou não.

Ao não me apegar, a vida segue, o assunto passa como uma nuvem. E não sendo relevante para mim os desdobramentos dele também não são.

Até que um assunto BRILHA.
Quando irrita, chateia, provoca, e não tem nenhuma consequência significativa, despertar o instinto de luta contra ele vai ser um uso de energia mais focado em destruir um processo do que construir.

E é muito mais divertido e prazeroso para mim construir coisas.

Assim, há questões que me motivam para a construção, que me aquecem o coração e sobre as quais eu sinto que tenho condições técnicas de avançar.

Aqui minha energia dedicada e um certo apego podem trazer algum benefício.

Trazer benefício, não chamar atenção.

Disse que muito se tenta capturar a atenção dos outros nas redes sociais. E eu mesmo tenho tentado agir assim nas minhas redes.

Mas o sentimento resultante não é bom, porque a caça de atenção invariavelmente leva o produtor do conteúdo a querer se conectar com o interesse do público. E embora isso tenha valor para prestação de serviço e venda de produtos, é insalubre para um caminho de encontro com a vocação individual.

Porque na busca da vocação o que importa é o interesse pessoal, o desejo sincero de se conectar com um tema e aprender. E esse interesse precisa brilhar internamente para que exista força de dedicação necessária para acompanhá-lo.

Gestão da Atenção

Assim, minha conclusão é que gerir a atenção não é sobre ficar longe do celular. É sobre não se apegar ao celular. Não é sobre estar longe das redes sociais. Mas não se apegar nos conteúdos que não brilham internamente.

Direcionar a atenção para um movimento mais propositivo que combativo. Criar mais que tentar destruir.

Criar para a utilidade, mas a partir de uma necessidade interna de fazer aquilo, de cuidar daquilo, não por uma demanda externa.

Gestão da atenção me parece mais sobre confiar na bússola interna do que realizar análise de tendências nas redes sociais ou ficar de fiscal dos interesses alheios nos grupos de Whatsapp.

As pessoas são livres para pensar e se expressar.
Tanto quanto eu sou livre para pensar e me expressar.
Todo ser humano tem uma verdade e é relevante.
Se descobre a força produtiva olhando para dentro.