#1 – A fase da vida aos 20 anos

Ter 14 anos é diferente de ter 21.
Programar aos 22 não é a mesma coisa que fazer isso aos 31.
A vida humana é repleta de ciclos e fases. Aos 20 anos estamos pela primeira vez diante de uma liberdade real de escolher nosso destino. É uma fase de poder sonhar e ir em busca deste ideal.

…o ser humano adulto pode então preencher com a riqueza de sua vida interior, segundo o que ele acredita ser bom, belo e verdadeiro de acordo com suas vivências e descobertas, no exercício do seu livre arbítrio, assumindo a responsabilidade pelos seus atos…

Marisa Clausen, no Livro Biografia e Propósito.

Quando vemos um conselho de alguém de 30, 40 ou 50 anos dizendo que precisamos de um “emprego sólido”, que é necessário usar “a linguagem X” porque ela é mais robusta, essa sugestão, este aprendizado vem de uma perspectiva de quem está em outra fase da vida. E a partir dos 30 as necessidades de fato se tornam mais organizacionais, mais sólidas e práticas, mas não aos 20.

Ter 20 anos é ser repleto de ideias, intenções e vontades profissionais muito emocionais. Sentimos atração por tecnologias, métodos e empresas que não sabemos explicar.

Esse desejo precisa ser vivenciado nesta fase.

O futuro será construído por você

Se um programador ou programadora encontra no JS, Flutter, PHP, no Python ou na Lua, algo que lhe atrai, essa é a direção. A bússola vem de dentro.

O mundo é repleto de possibilidades, o que conseguimos enxergar é limitado.

Quem diria 10 anos atrás que JS seria uma linguagem tão presente?

Quanta gente criticava o PHP que foi responsável por ajudar a web a se tornar popular de verdade.

Quantos não duvidaram do Java que hoje dá origem a toda a uma gama de novas linguagens.

Outras tecnologias como Flash, Silverlight, JQuery perderam força, mas as técnicas, métodos e aprendizados de quem trabalhou com elas não se perdeu, eles migraram para outras tecnologias e plataformas, junto com suas comunidades.

Se você está fazendo parte de uma comunidade, você mudará junto com ela quando for necessário.

Sejamos francos aqui, é muito difícil, quiçá impossível definir certo e errado na vida. Ter a mente aberta e o coração inocente é a melhor coisa nesta fase. Decepções virão, mas dane-se.

Programadoras e programadores, essa fase é a fase perfeita do “seguir o coração”.

E quando se tem responsabilidades cedo?

Meu primeiro filho nasceu aos meus 22 anos. Recebi uma boa herança moral e espiritual, mas não material. Pago meu aluguel desde os 18. E vou ser honesto, acho que algo me protege na vida. Muita coisa deu certo nessa trajetória de forma totalmente inesperada, a sorte parece favorecer a juventude.

Antes de ter meu filho realizei meu sonho de ser professor de programação. No momento exato apostei em uma startup de educação com dois empreendedores maravilhosos. Eu ganhava pouco quando meu filho nasceu, nem tinha carro, mas a empresa que senti que deveria me envolver cresceu e eu cresci junto. Tive a chance de viajar por todo o Brasil trabalhando e conhecer pessoas incríveis. Apostei no PHP, o PHP cresceu.

Apostei em casos que não cresceram, como orientação a objetos no JS (ops, TS me salvou nessa), trabalhei em empresas que não cresceram tanto, mas foram bons aprendizados.

Você pode confiar no inesperado. E lidar com o que dá errado também não é nunca perda total na nossa área.

Mas claro, quanto mais responsabilidades são assumidas cedo, maior a dedicação ao trabalho e aos estudos, menos prazeres individuais, menos tempo para filmes e séries, mas sinceramente, esta é a melhor fase da vida para refinar talentos e competências. Trabalhar e estudar aos 20 é muito importante para se construir sólido no futuro.

E isso volta ao ponto inicial. É muito importante se dedicar ao que gera energia, ao que gera emoção e vontade, porque esses motores serão fundamentais na construção do futuro.

E quanto a ouvir os mais velhos?

Esta fase traz a deliciosa liberdade de poder ouvir os conselhos e ensinamentos daqueles que nos inspiram com suas vidas.

Mas se alguém não lhe inspira, eu não vejo motivo nenhum para essa pessoa ser escutada.

Por outro lado, escutar as pessoas que nos causam um assombro positivo, pelo tanto que fizeram pelas próprias vidas fará do nosso caminho muito mais forte.

Eu sinceramente só estou chegando a uma clareza sobre quem quero seguir agora aos 30.

E mesmo encontrando inspirações, há desejos e intenções nossas que precisam se vivenciadas, independente do resultado, o caminho importa mais que a chegada, especialmente nessa fase da vida.

Alegria

“A sensação permanece como elemento predominante”

Marisa Clausen – Biografia e Propósito.

Embora nossa profissão como programadores e programadoras seja de muita dedicação mental, de foco no raciocínio e em comunicação estruturada, construir um software, um produto ou entregar um projeto são ações que põe nossa alma em movimento.

Sentir nossa alma em movimento é sentir alegria.

Portanto, nesta fase me parece ainda mais crucial que se tente ao menos trabalhar nos projetos, produtos e empresas pelos quais sentimos algo especial.

Isso vale para as linguagens de programação e técnicas de gestão.

Cada método e linguagem tem uma cultura por trás, você pode sentir essa cultura, essa força subjetiva, quando entra em contato com esse conhecimento.

E essa descoberta não é tão racional porque é preciso vivenciar a experiência para formar um julgamento mais sólido.

Por outro lado o ser humano parece ser dotado de muitas ferramentas intuitivas que o aproximam daquilo que tem mais afinidade consigo.

Portanto, não se incomode, mesmo em nossa área tão mental, em se perceber sendo guiado + pela alegria, e não apenas pela razão.

Usando a linguagem do Manifesto Ágil que eu tanto gosto…

Aos 20 anos….
ALEGRIA E SENSAÇÃO mais que mente e razão.

Kaléu Puskas